Stablecoins: o principal case de sucesso da tokenização no sistema financeiro global!

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Stablecoins: o principal case de sucesso da tokenização no sistema financeiro global!

Kemyli Barbosa / 31 Jul, 2025

  • Stablecoins: o principal case de sucesso da tokenização no sistema financeiro global!

    • 1.  
  • 1.      Introdução

  • A tokenização (o processo de converter ativos do mundo real em representações digitais na blockchain), tem se mostrado uma força transformadora no cenário financeiro global. Embora diversas aplicações da tokenização demonstrem grande potencial, um segmento em particular se destaca como um case de sucesso inegável e de impacto massivo: as stablecoins. Estes ativos digitais, geralmente atrelados a moedas fiduciárias, estão revolucionando a forma como o valor é transferido e armazenado, dominando o sistema financeiro global.


  • Este texto aprofundará no fenômeno das stablecoins, explorando como elas se tornaram a vanguarda da tokenização e por que sua utilidade é fundamental para a evolução dos mercados e do sistema financeiro tradicional. Boa leitura!

 

  • 2.      O que são stablecoins e por que são cruciais?

  • Stablecoins são criptomoedas cujo valor é atrelado a um ativo mais estável, como moedas fiduciárias (real, dólar americano, euro, etc.), commodities (ouro) ou até mesmo uma cesta de ativos. Essa característica as diferencia de outras criptomoedas com maior volatilidade, como Bitcoin e Ethereum, tornando-as ideais para diversas aplicações financeiras.

  • Utilidades fundamentais:

    • Estabilidade de preço: em um mercado cripto conhecido por suas flutuações, as stablecoins oferecem um refúgio seguro. Isso faz com que sejam ideais para transações diárias, remessas internacionais e funcionem como "um porto seguro" para investidores durante períodos de alta volatilidade.
    • Eficiência nas transações: permitem transferências de valor rápidas, mais econômicas e globais, 24 horas por dia, 7 dias por semana, superando as limitações e os custos dos sistemas bancários tradicionais.
    • Ponte entre mundos: atuam como uma ponte essencial entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema de finanças descentralizadas, facilitando a entrada e saída de capital e a integração de serviços financeiros.
    • Base para DeFi: são a espinha dorsal de inúmeras aplicações DeFi, permitindo empréstimos, trocas, staking e outras operações financeiras de forma transparente e programável. 
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  • USDC e USDT: os gigantes do mercado
    • USDC (Circle): com mais de US$ 30 bilhões em capitalização de mercado, o USDC se estabeleceu como a stablecoin mais confiável para uso institucional. Suas reservas são auditadas mensalmente, e opera com licenças bancárias estaduais nos EUA. A interoperabilidade cross-chain (Ethereum, Algorand, XRPL) o torna versátil para diferentes aplicações.
    • USDT (Tether): permanece como a stablecoin mais utilizada globalmente, com mais de US$ 120 bilhões em capitalização de mercado. O USDT é fundamental para a liquidez do mercado cripto, especialmente em exchanges e aplicações DeFi.
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  • 4.      O GENIUS Act e a Ascensão Institucional das Stablecoins
  • A aprovação do GENIUS Act (Guiding and Establishing National Innovation for US Stablecoins Act of 2025) pelo Senado norte-americano marca um ponto de virada crucial para as stablecoins e para a integração dos ativos digitais no sistema financeiro global. Com um apoio bipartidário significativo, esta legislação estabelece um quadro jurídico claro e robusto para as stablecoins de pagamento, trazendo previsibilidade e segurança para o mercado.
  • Impõe requisitos rigorosos de reserva (1:1), padrões de auditoria alinhados às práticas bancárias tradicionais e um modelo de supervisão dual (federal e estadual). Essa estrutura não apenas legaliza a operação, mas também fortalece a confiança sistêmica, eliminando as principais barreiras de compliance que antes impediam a alocação significativa de capital institucional. Para tesourarias corporativas e fundos, isso significa a abertura de um novo e vasto campo de oportunidades.
  • O GENIUS Act acelera, dessa forma, a convergência entre as finanças tradicionais (TradFi) e as finanças descentralizadas (DeFi). As stablecoins, agora com um arcabouço regulatório claro, tornam-se trilhos de pagamento institucionais, permitindo:

    • Liquidações transfronteiriças (cross-border settlements) com eficiência 24/7, superando o tradicional T+2.
    • Otimização de capital de giro com stablecoins reguladas que geram rendimento.
    • Redução significativa do risco operacional em pagamentos internacionais.

  • Essa legislação não é apenas sobre stablecoins; é uma mensagem clara de que a infraestrutura financeira global está sendo redesenhada com base em ativos digitais regulados e interoperáveis.

  • 5.      Stablecoins como 'pix internacional' e a convergência TradFi-DeFi

  • Um dos casos de uso mais impactantes das stablecoins é sua função como um verdadeiro 'pix internacional', ou seja, a capacidade de processar e liquidar pagamentos digitais e instantâneos globalmente, com a mesma facilidade e velocidade do pix brasileiro, demonstra a utilidade prática e a eficiência que trazem para as transações transfronteiriças.
  • O USDT, em particular, tem se destacado como um meio direto de pagamento em diversas regiões, como na Argentina, onde é utilizado para transações diárias sem a necessidade de conversão para a moeda local. Isso elimina intermediários, reduz custos e agiliza o fluxo de capital, tornando-o uma ferramenta poderosa para o comércio local, internacional e remessas.
  • A integração entre as finanças tradicionais e as descentralizadas é outro pilar do sucesso. Empresas como a Ripple estão se posicionando como conectores entre esses dois mundos, utilizando stablecoins como meio de liquidação rápida e eficiente em operações internacionais. Um exemplo muito interessante, é o modelo conhecido como 'sanduíche de stablecoin'. Este permite que através da utilidade de uma stablecoin, transações sejam liquidadas de forma segura, com menos custos e menor tempo, usando-a entre duas operações fiduciárias reguladas (fiat → stable → fiat). Ou seja: um cliente no Brasil envia um pix de moeda fiduciária, que é convertido através de um intermediário em USDT/USDC (on-ramp), e liquidado na ponta final pela moeda de interesse de quem opera (off-ramp). Quase que instantaneamente.


  • Essa abordagem não apenas otimiza as operações existentes, mas também abre caminho para novas soluções financeiras, como as provas de conceito (PoCs) realizadas por instituições como o J.P. Morgan, que validam a tokenização e a liquidação com stablecoins em estruturas bancárias tradicionais. Isso demonstra o crescente reconhecimento e a adoção destas tecnologias como uma infraestrutura fundamental para o futuro do sistema financeiro global.
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  • 6.      Conclusão: stablecoins são o futuro do dinheiro (e o presente)!
  • As stablecoins representam o principal case de sucesso da tokenização, demonstrando como a tecnologia blockchain pode oferecer soluções tangíveis para desafios financeiros globais. Sua capacidade de combinar a estabilidade das moedas fiduciárias com a eficiência e a transparência da blockchain as posiciona como um pilar fundamental para o futuro do dinheiro digital e para a evolução do sistema financeiro.
  • Com a aprovação do GENIUS Act e o crescente interesse institucional, as stablecoins estão se consolidando como a infraestrutura financeira do futuro. Elas não apenas facilitam transações, mas também abrem caminho para novos modelos de negócios e serviços financeiros que antes eram impensáveis.
  • À medida que a adoção institucional cresce e o ambiente regulatório se torna mais claro, as stablecoins estão prontas para desempenhar um papel ainda mais central na economia global, facilitando transações, impulsionando a inovação em DeFi e conectando o mundo financeiro tradicional a um futuro mais digital e eficiente.

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